16 de maio de 2008

Super atual


Quando Samuel Guilherme Pittelkow nasceu, a banda Os Atuais já estava há 14 anos no mercado musical. Hoje, aos 26 anos, o agente administrativo marataense coleciona todos os álbuns produzidos pelo grupo, entre vinis e CDs. Samuel conta que começou a ouvir Os Atuais devido a cultura da região em relação ao estilo musical, no qual a banda se enquadra.

A primeira vez que assistiu a um show dos artistas foi em 2000. “Mas ainda não era fã, comecei a colecionar há quatro anos.” Desde então, foram cerca de R$ 500,00 gastos com discos e CDs. O mais caro custou R$ 80,00. “É um LP muito raro”, destaca.

Para adquirir todas as obras mais antigas do grupo, o marataense procurou em diversas lojas de cidades como Montenegro, Canoas, São Leopoldo e Porto Alegre. “Muitos sabem que eu gosto e me oferecem.” No total, Samuel tem 40 álbuns da banda, entre vinil e CD, contando coletâneas.

Depois de gostar da música, o agente administrativo passou a se interessar pela história de Os Atuais. “Antigamente as canções eram somente tocadas. Eles foram alguns dos primeiros que começaram a cantar este tipo de música e acrescentaram novos instrumentos, como os sopros.”

Nos últimos anos, Samuel já foi a diversos shows e bailes da banda. Inclusive, conversou com todos os integrantes do grupo. Graduando em Geografia, o estudante espera concluir a faculdade em, no máximo, dois anos. Para animar sua festa de formatura, Samuel sonha em poder contratar Os Atuais.

Todo cuidado é pouco
O marataense tem dois aparelhos toca-discos e conta que ouve os vinis quase que diariamente, mais do que os CDs. Todos os LPS são guardados com muito cuidado, sendo que apenas Samuel os manuseia. Ele também não empresta seus discos, apenas se tiver uma cópia idêntica. “Tem pessoas que não cuidam”, justifica.

O estilo bandinha é o preferido de Samuel, que possui também diversos álbuns dos grupos Hello e Corpo e Alma. Ele também acompanha bandas mais recentes, como JM e Brilha Som. No total, são 250 discos de vinil, além de dezenas de CDs. O gosto pela música nunca passou de lazer. “Fiz aulas, tenho um violão e uma guitarra, mas não consegui conciliar com o estudo e o trabalho.”

2 de maio de 2008

O amor pelas plantas


É herança de família. O gosto pelas plantas veio da avó paterna e da mãe de Cleonísia Bohn Musskopf, passado para ela e para as duas irmãs. Com o tempo e com a prática, a professora aposentada aprendeu a cuidar daquelas que hoje são suas companheiras. Em casa, na cidade de São José do Sul, ela cultiva mais de 400 vasos com as mais variadas espécies de plantas. Só de cáctus, são cerca de 30 tipos diferentes.

As folhagens chamam a atenção de quem passa em frente à casa de Cleonísia, seja pela quantidade ou pela preservação. Todas recebem o carinho e a atenção da aposentada diariamente. “De manhã, olho para todas elas e as cumprimento. Sempre converso com elas. Tem gente que acha que eu sou louca”, brinca.

Pelo prazer de cultivar
A professora sempre cultivou plantas nas cidades onde morou, como em São Pedro da Serra e em Brochier. A “coleção” aumentou há quatro anos, quando ela se mudou para São José do Sul. Cleonísia compra algumas espécies e depois replanta. Ela enfatiza que não tem o objetivo de obter renda com a produção, assim como sua mãe e sua avó também não tinham. “É um passatempo, faço por prazer.”

Todos os dias, pelo menos por alguns instantes, a são-josense se dedica às plantas, cuidando, repondo terra e adubo e tirando as folhas secas. Por alguns momentos, ela também olha e aprecia cada uma. As folhagens são as companheiras da aposentada que, hoje com 74 anos, não têm filhos. Cleonísia afirma que não tem nenhuma espécie da qual gosta mais. “Se preferir uma, a outra fica triste.”

Atividade requer dedicação e carinho
No inverno, assim como o ser humano sente a queda da temperatura, as plantas sofrem com o frio. Para evitar que as folhagens sejam prejudicadas, Cleonísia as guarda em um galpão, nos fundos de casa. Apesar do trabalho de deslocar os mais de 400 vasos, a aposentada não se intimida e faz tudo sozinha.

Ela conta que muitos, sabendo do seu gosto, lhe dão vasos para cultivar as plantas. Em algumas festas municipais, são as plantas de Cleonísia que enfeitam as mesas. É um estímulo para continuar seu trabalho, que deverá continuar solitário, pois a professora não gosta que outros mexam nas suas plantas. “Eu gosto de cuidar. Dizem que, se outras pessoas mexem, elas morrem.”

25 de abril de 2008

Erva-mate feita em casa


Ela tem espaço garantido no rancho de qualquer família gaúcha. Através de diversas variedades, a erva-mate é que garante o bom chimarrão de todo dia. O aposentado João Teles Gonçalves, de Linha Canjerana, em Salvador do Sul, também tem suas preferências quanto ao produto. Seja mais fino ou encorpado, ele não precisa escolher através dos rótulos nos supermercados. A erva do seu chimarrão ele mesmo produz.

A herança é de família. Desde pequeno, seu Teles, como é conhecido, trabalhava com erva junto do pai. “Me criei neste meio. Mas me mudei para Santa Catarina, onde o clima não é bom para o cultivo, e acabei deixando a erva de lado.” Vinte anos depois, o aposentado voltou ao Rio Grande do Sul, retomando o aprendizado que herdara.

Teles iniciou cultivando e vendendo mudas. Contudo, os compradores pagavam um preço muito baixo. A alternativa foi começar a produzir a erva, atividade para qual era preciso um soque. “A minha mulher e os meus filhos deram risada quando eu disse que iria construir um. Trabalhava dia e noite. Fiquei muito feliz no primeiro dia em que ele funcionou.”

O próximo passo foi fazer um secador, objetivo alcançado com o auxílio da Emater/RS – Ascar e da Administração Municipal. Há seis anos, Teles e a esposa produzem, mensalmente, cerca de 60 quilos de erva-mate, vendidos para amigos e vizinhos e para uso da família. “Somos aposentados e a erva não é base da nossa renda. Trabalho nisso por lazer, porque gosto.” Atualmente, ele é o único produtor de erva-mate do município.

O segredo de uma boa erva
Para produzir uma erva-mate de qualidade, é preciso seguir alguns passos importantes. A primeira etapa é plantar as mudas e cultivá-las por três anos. A partir deste período, pode ser feita uma colheita por ano. O corte não pode ser muito drástico, deixando cerca de 20% do pé, para que ele não seja prejudicado. “Tem que ser em lua minguante, para a erva não ficar muito forte”, ressalta Teles.

Com lenha fina, o aposentado faz fogo com labaredas altas e passa os galhos de erva para que percam a umidade e o produto não fique tão amargo. “Não pode deixar pegar fogo, é só dar uma chamuscada.” O próximo passo é colocar as folhas na câmara de secagem, onde ficam cerca de três dias. No final deste processo, o cheiro da erva já se torna familiar.

Em uma cancha, as folhas são batidas para que diminuam de tamanho antes de serem levadas ao soque, última etapa do processo. Dependendo da umidade, a erva fica entre 30 minutos e uma hora sendo moída. Quando está bem esmigalhado, o produto vai para um depósito, preferencialmente de madeira, em local escuro, para não perder a cor. Depois é só tomar o chimarrão.


18 de abril de 2008

Montenegro


Esta é a minha cidade, Montenegro, a "Cidade das Artes". Apesar dos problemas que são inevitáveis em qualquer lugar do mundo, Montenegro é um exemplo de município que está se desenvolvendo sem perder o ar e o jeito de cidade pequena, onde todos se conhecem e vivem em comunidade.

Acredito que a origem é algo importante, seja em relação a pessoas, lugares ou objetos. Com este vídeio, quero mostrar a origem dos municípios
que retrato no blog através das histórias e dos personagens. Montengro é a cidade-mãe desses locais (BRochier, Maratá, Salvador do Sul e São josé do Sul) que servem como pano de fundo de cada postagem.

A montagem acima foi feita pelo peão farroupilha da 15ª Região Tradicionalista de 2007, Leonardo Mousquer, com fotos disponpiveis no site da Prefeitura Municipal de Montenegro (www.montenegro.rs.gov.br)
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14 de abril de 2008

Vivendo para o trabalho


Para ele, não há diferença entre domingo e segunda-feira. A rotina é sempre a mesma: acordar cedo e trabalhar. Isso não é uma obrigação. Nos olhos e no sorriso do agricultor Celso Emílio Muller, de 46 anos, logo se vê a paixão pela lavoura.

O marataense, morador de Boa Esperança, trabalha com criação de peixes, lima, manga e cana-de-açúcar, entre outras culturas. Ele é solteiro e reside com os pais. Seu objetivo para o futuro é terminar a casa que começou a construir junto às terras que cultiva. As estradas de acesso às plantações foram construídas por ele.

Celso mora e trabalha em uma região privilegiada. No último inverno, o caminho mostrava os resultados da geada, com os campos queimados, principalmente as plantações de cana. No alto do município, onde ficam as terras do agricultor, nem parecia que tinha feito frio, pis as canas continuavam verdes e prontas para a colheita.

Além da boa localização, Celso garante que a forma de manejo da terra é um fator importante para a qualidade daquilo que produz. “Eu não uso nada, nem esterco ou calcário.”

Fora do comum

Outra curiosidade da lavoura de Celso é o cultivo de frutas e folhagens pouco comuns, como a lima e a cica. Mais de 2.000 de pés de lima estão carregados de frutos de extrema qualidade, segundo o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Maratá, Ênio Becker. “Existe pouca produção na região.”

Vendidas por preços altos em floriculturas, as cicas são muitos procuradas para projetos de paisagismo. Celso não vende as que ele cultiva de jeito nenhum. Para atingir um metro de altura, as folhagens levam 33 anos. Hoje, o agricultor tem 650 pés e só pensa em comercializá-los assim que tiver mais mudas prontas. “Demora muito para crescer. Se vendo tudo agora, não tenho depois.”

31 de março de 2008

O passado no porão de casa


O sorriso nos lábios, o brilho nos olhos e a empolgação ao descrever cada objeto revelam que muito amor e tempo foram dedicados à causa. Professora durante 46 anos e catequista por 52, a moradora de São José do Sul Imelda Verônica Gabbardo hoje tem outra ocupação. Aos 71 anos, há quatro ela cuida de um pequeno museu montado no porão da antiga casa em que residia.

Imelda não sabe quantas peças compõem seu arquivo. Certamente, são centenas de objetos colocados cuidadosamente em cenários como há dezenas de anos, reconstituindo quartos e cozinhas. Todos pertenciam a seus pais, de origem alemã, ou a seus sogros, que eram italianos.

O museu fica em uma casa de 128 anos, utilizado como salão de baile e, em 1921, transformado em residência pelos sogros de Imelda. Quando a aposentada casou com Cestilho, em 1957, se mudou para o lugar e morou lá até 1992, quando o casal construiu uma nova casa nova. A morada centenária passou a ser usada como depósito.

“Eu tinha uma empregada que trabalhava muito e, um dia, ela sugeriu que a gente limpasse e pintasse o porão”, conta a são-josense, relembrando como começou a organizar o antiquário. Muitas coisas que tinha em casa e utilizava no dia-a-dia, a ex-professora limpou, restaurou e colocou no museu.

Doações e visitas ao museu
Imelda lamenta ter demorado a dar valor aos objetos antigos. “Muitas coisas coloquei fora ou doei.” Entre as peças mais queridas estão livros em alemão e italiano, utensílios de cozinha, aventais, colchas e panos de parede do enxoval da sua mãe. Alguns objetos, ela ganhou ou trocou com as irmãs e com as cunhadas. Outras, a aposentada deixa de utilizar em casa e leva para o museu.

Muitos procuram a família Gabbardo para comprar antiguidades, mas a são-josense não põe nada à venda, pelo contrário, aceita doações. A comunidade local e escolas organizam visitas ao espaço.

Para Imelda, cuidar do museu é um prazeroso passatempo. “Fico decorando, limpando, mudando os objetos de lugar. Gosto de arrumar e recordar cada momento. Só espero que Deus continue me dando forças e saúde para continuar”, afirma, destacando o desejo de que seus filhos dêem continuidade ao seu trabalho.

24 de março de 2008

De ouvidos e coração abertos para a arte



Quando tinha apenas dois anos, um surto de sarampo tirou a audição de Sandra Gausmann Pfitscher, hoje com 58. “Naquela época, não tinha vacina”, recorda. Percebendo a dificuldade da filha e sem a opção de escolas especializadas, o pai de Sandra logo se preocupou em ensiná-la a ler lábios e a pronunciar as palavras, desenvolvendo a fala. Atualmente, Sandra se comunica muito bem com suas alunas de artesanato da Oficina Municipal de Artes (OMA) de Salvador do Sul.

Foi graças à dedicação do pai que a então menina pôde cursar as séries regulares na idade correta. Sandra ingressou, inclusive, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), onde estudou História, mas não chegou a concluir a graduação. “Era muita palestra e apresentações audiovisuais”, justifica.

Mãe e dona-de-casa
Como dona-de-casa, a artesã criou quatro filhos. Há seis anos, ela se tornou membro do quadro de funcionários da Prefeitura, atuando, primeiramente, na Biblioteca Pública. Depois, passou a lecionar as oficinas de artesanato, que ela confecciona desde os nove anos. “Como eu não podia participar de cursos, minha mãe começou a me ensinar em casa.”

Todo o conhecimento adquirido com a mãe, Sandra tem paixão por passar adiante. Além disso, as aulas são um modo de estar sempre em contato com novas pessoas. “Os filhos crescem, vão embora e a gente fica sozinha. Gosto de reunir pessoas à minha volta. Com as oficinas, me sinto bastante útil”, comemora Sandra.

Uma troca de experiências
Sandra é uma professora atenciosa, segundo a estudante Débora Becker, de 19 anos, que participa há um ano das oficinas. A artesã passa toda a semana envolvida com as atividades da OMA, ensinando crochê, tricô, fuxico, boneca de pano, bordado, entre outras técnicas. “Nunca tivemos problemas de entendimento. Só temos que ter mais cuidado para falar pausado e articulado que ela entende tudo”, conta Débora.